Depois de ler crónica de hoje no DN, fico sem perceber se Luís Amado utilizou aspas em “Primavera Árabe” por estar a citar um conceito pelo qual ficou conhecido, ou se finalmente acha que a primavera, de facto, não terá passado de mais uma utopia longe de estar concretizada.
Preocupa-lhe a estabilidade europeia, mas não se preocupa em tentar ter razão, uma vez que seja.
Amado segue a sua imaginativa intervenção apelidando de “islão político moderado” a já conhecida e pouco moderada Irmandade Muçulmana - ou “Irmãos Muçulmanos” como faz questão de assim os denominar, talvez imbuído por um amor fraterno de partilha ideológica.
Continua com a sua condição sine qua non para uma resolução do Médio Oriente:
«A criação do Estado da Palestina é uma condição determinante para a paz no Médio Oriente mas também para a estabilidade das relações entre o mundo islâmico e o Ocidente»
Isto é, caso não seja criado um estado inventado, baptizado pelo imperador Adriano após a vitória sobre a rebelião judaica de Bar Kochba no ano 145, a coisa não tem pernas para andar. E se as relações entre o Islão e o Ocidente não têm pernas para andar, a culpa é dos israelitas (ie: judeus).
Os “irmãos” de Amado, esses, parecem continuar interessados em abrir uma só excepção para que num futuro mapa do médio-oriente exista uma só palavra que não seja de origem árabe: Palestina.
Por fim, a Turquia. E como alienar este “aliado estratégico” seria um erro inaceitável. Para já a memória prevalece fresca às tentativa de genocídio histórico que a Turquia insiste praticar, depois da prática do estilo original em 1915. Valha-nos isso por hora. Amanhã, logo se vê.
Para Amado, esta Turquia é uma referência única. Para mim também, mas por razões precisamente opostas.
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