
Ana Gomes está inquieta! Logo após o parecer da juíza, que classificava de “erro grosseiro” a detenção de Paulo Pedroso, já todos esperávamos palavras de apreço para com a justiça, que realmente funciona, que de facto tarda, mas não falha… que podemos confiar no sistema judicial. Frases feitas.
Mas Ana Gomes, depois da inesgotável expressão da “cabala” eternizada por Ferro Rodrigues, decidiu enveredar por caminho idêntico. A expressão escolhida agora é “urdidura” e começa a roçar o limite do irracional, ao nível daqueles sujeitos que oferecem panfletos em Times Square sobre a teoria do “inside job” no 11 de Setembro.
Aproveitando a “boleia”, Carlos Cruz é também apontado como vítima do mesmo tipo de injustiça. Mas vamos a factos:
O tribunal (ou o juíz) é incompetente pela prisão preventiva exercida a Paulo Pedroso, não pela possível pena a aplicar ao arguído. Cabe lembrar que, o Sr. Paulo Pedroso processou os rapazes que o acusaram de abusos sexuais e não ganhou! Parece-me claro que o caso foi enterrado enquanto estava na “grey area” e que vai fazer com que inocentes e culpados nunca sejam, postos a nu – passe a redundância.
É escandaloso que, Paulo Pedroso, estando inocente, tenha de carregar sobre si o peso da incerteza de que é pedófilo para uma parte dos portugueses, conforme os “tribunais do povo” fizeram questão de lhe aplicar o título pelas ruas antes sequer de ser constituído arguido… quanto mais culpado. Através das notícias na imprenssa ficaram a saber-se de alegações e certezas provavelmente nunca teremos.
É um caso tem muito que se lhe diga, mas … para teorias de conspiração, convém ter o mesmo que a acusação de Paulo Pedroso também não tinha; provas.
Mas então porque é que Ana Gomes decidiu dar ao caso uma dimensão política, que vai muito além do sistema judicial?
Passemos os olhos pelo seu artigo no blog “Causa Nossa” sobre o tema:
Para reparar o que ainda pode ser reparado o Estado português, através da Justiça, tem de ir mais além do que o reconhecimento do “erro grosseiro” e do pagamento de indemnizações: tem de fazer tudo para desenterrar a verdade e para identificar, expor e julgar os canalhas que instrumentalizaram jovens da Casa Pia, vítimas de abusos pedófilos, para acusarem falsamente Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues e Jaime Gama (está em causa a segunda figura mais alta do Estado, o Presidente da Assembleia da República).
A culpa não deve nunca morrer solteira e, como um bom judeu que se preze, defendo a máxima de Moisés “Justiça, justiça deverás buscar” (Dt. 16:20). Mas o tom desvairado de Ana Gomes deixa escapar uma busca mais vingativa que justa. Uma caça às bruxas sob a bandeira da “urdidura”:
Para reparar o que ainda pode ser reparado o Estado, através da Justiça, tem de fazer tudo para descobrir e revelar ao povo português o que moveu os canalhas que se conluiaram para montar a urdidura contra Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues, Jaime Gama e todos os falsamente acusados. Uma urdidura montada para desviar atenções da investigação criminal sobre os frequentadores dos meninos da Casa Pia e do Parque, (…) Uma urdidura montada para também, de caminho, decapitar políticamente o PS de uma direcção que inquietava o “centrão” traficante de favores e negociatas à custa do Estado.
Será que Ana Gomes sabe mais que nós? Eu estou mortinho por saber…
2 respostas até agora ↓
Diogo // 10 Setembro 2008 às 12:33 am |
Eu não sei sei se Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues e Jaime Gama são culpados ou inocentes. E acho que tinha o direito de saber. Que se movam mundos e fundos. Queremos a verdade, doa a quem doer.
Duarte Sousa // 10 Setembro 2008 às 4:21 am |
“Será que Ana Gomes sabe mais que nós? Eu estou mortinho por saber…”
Está o Marco e todos aqueles que ainda defendem valores como a honra, o respeito, a dignidade, a compaixão e a justiça.
É claro que daqueles portugueses que apoiam figuras públicas como Herman José, do qual se ficou a saber que mantinha (e pelos vistos mantém, segundo confessou) relacionamentos sexuais com jovens com idades pouco acima dos 16 (leia-se 17, 18, e talvez pouco mais), já não se poderá esperar o mesmo.
Custa-me crer que a Polícia Judiciária fosse apontar esta gente como possíveis culpados sem ter quaisquer provas ou fortes suspeitas que apontassem nesse sentido. Por isso, só podemos formar duas hipóteses: 1) Ou a nossa PJ é altamente incompetente, ou 2) o lobbies dos pedófilos em Portugal é bastante mais poderoso do que se possa imaginar.