MENINO RABINO

Entradas desde Setembro 2008

McCain está certo!

29 Setembro 2008 · 4 Comentários

No primeiro debate presidencial, Barack Obama confessou não 1, não 2, não 3… mas 12 vezes (!) que John McCain estava absolutamente correcto em diferentes temas abordados. Erros primários para este “tennager” político que os democratas escolheram para candidato a presidente dos EUA. Apesar da opinião dos media portugueses e das estatísticas da CNN publicadas no “Público” de hoje, numa votação da FOX NEWS em tempo real, McCain vence o debate com 84% dos 92.000 votos. Assistam ao video:

 

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Mais messianismo “a la Obama”

28 Setembro 2008 · 1 Comentário

Depois da apoteótica convenção democrática americana, José Sócrates plagia o “Messianismo Obamico” em Guimarães com um mega-comício que arrisco considerar imoral, devido aos custos, que imagino, excedam o limite do razoável principalmente para as carteiras dos portugueses.

Mas o plágio não se resume à megalomania envolvente no comício socialista em Guimarães, mas à própria música adoptada para a questão. A banda-sonora de facto não me era estranha, mas foi precisa a ajuda dos media para descortinar qual era: “Os Homens do Presidente”. Pois é, os socratianos (e o próprio) estão tão deslumbrados com as ideias propagandistas dos democratas americanos que caíram no ridículo de até imitarem a banda-sonora da famosa série americana onde o jovem presidente é democrata.

O plágio continua com palavra-chave do slogan adoptado por Obama: MUDANÇA! Mas se no caso de Obama faz sentido, uma vez que Bush se encontra no poder à 9 anos, qual será o sentido que Sócrates quer dar com isto? A resposta é simples: Não faz sentido! Mas quem disse que é preciso ter sentido?

Sócrates precisa fazer só três coisas para manter-se no poder: o cabelo bem aparado, continuar a usar gravatas sem padrão e não responder aos interesses da nação com  a sua boa dose de arrogância de quem nunca se engana e raramente tem dúvidas. (dejá vu). Aliado a isso basta a que a máquina de propaganda socialista continue atenta aos exemplos de Obama e ludibrie os portugueses com sua versão portuguesa.

Apesar de não ser derrotista, não vale a pena entrarmos em demagogias, deixemos isso para o nosso PM, afinal é um dos seus fortes. A máquina está oleada e não tem margem para erro. A única margem é ganhar com ou sem maioria absoluta, porque afinal de contas, como diz Jorge Coelho: “Ninguém brinca com o PS”. Resta-nos ter paciência e ver o nosso dinheiro ser estoirado em propaganda por mais uns tempos que certamente mais tarde passaremos a vê-lo ser estoirado em algo diferente. Não melhor… mas diferente.

Mas Sócrates não é de todo, desonesto. De facto existe mudança. Aparece agora mais “socialista” despindo a bandeira da globalização e do capitalismo e abraçando as frases feitas de Soares. A receita é simples: quem é capitalista, tem também dois dedos de testa e sabe que ele continua a ser liberal e “privatizador” apesar da utopia Soarista e a plebe ignorante vota no renovado delfim Soarista porque afinal, se Soares é fixe, Sócrates também (e com mais um ou dois mandatos, vai parar a Belém – rima e é bem verdade).

Fala do que o povinho quer ouvir e deixa as questões lobbistas para serem resolvidas pela sua elite longe dos olhos dos portugueses. A questão dos casamentos entre homosexuais não está na agenda porque simplesmente, os reformados socialistas que entopem estes comícios, não acham muita graça a estas relações “alternativas”. Sócrates tem muitas formas de colocar isso na agenda e não vai perder os votos dos reformados das excursões socialistas por causa dos gays. Afinal de contas existem mais reformados que gays que querem casar. Para além de que os gays sabem que ele é uma aliado da “igualdade” e vai agendar o tema para altura oportuna – para ele, claro. “Os trunfos são valiosos, não nos vamos pôr a gastá-los todos de uma vez” pensará o nosso Obama.

Quanto aos adversários políticos, em primeiro lugar tem a sorte de não os ter com força no seu próprio partido e depois tem a sorte de ter uma oposição num desnorte descuidado. Estão simplesmente de rastos, com as suas guerrilhas internas, a falta de ideologias consistentes e honestas e como se não bastasse a possibilidade de apoios políticos a figuras anedóticas como Santana Lopes. Desta forma Sócrates limita-se a desvalorizar seja o que for que venha da oposição. Quer com sua sátira pegajosa e hostil com que presenteia os seus adversários a cada pergunta mais incomoda, quer com a forma como castra qualquer debate de ideias, certamente influenciado pela ditadura socialista desse fenómeno existencial que é o seu querido amigo venezuelano, Hugo Chávez.

E o que dizer do fenómeno “Magalhães”? Mais um fenómeno messiânico. Parece já ninguém se preocupar com as crianças que fazem quilómetros todos os dias para  ir à escola. Ninguém se preocupa com a falta de aquecimento nas mesmas. A colocação dos professores, etc.

Os problemas da educação ficaram completamente fulminados pela propaganda magalhónica. A imagem dos media com os flashes a captar fotos das criancinhas completamente obcecadas com o seu brinquedo novo são o prato do dia. Computadores em saldo foi a forma mais simples e brilhante como Sócrates respondeu ao problemas da educação. Uma vez mais Sócrates dá uma no cravo e outra na ferradura: Computadores em Saldo para os pais e criancinhas ficarem contentinhos versus Acesso à banda larga mais cara da Europa para os capitalistas ficarem contentões.  

Mas para saberem mais sobre este fenómeno aconselho o artigo de José Pacheco Pereira no “Público”

A verdade é que vejo os portugueses a dizer que ele afinal tem feito umas coisas! Pois tem… chama-se engodo e os portugueses estão a empanturrar-se dele.

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Moisés Ayash 1921-2008

22 Setembro 2008 · Deixe um comentário

Faleceu ontem, aos 87 anos, Moisés Ayash. Presidente da Assembleia Geral da Comunidade Israelita de Lisboa e sócio n.º 40 do Sporting Clube de Portugal, agraciado com o emblema de 75 anos de associado, no passado dia 11 de Maio, pelo presidente do conselho directivo, Filipe Soares Franco. 

Moisés Levy Brendão Ayash, de seu nome completo, já tinha dificuldade em reconhecer algumas pessoas, mas deixa a imagem de um dirigente que defendia a todo o custo os interesses do Sporting e da Comunidade Israelita.

Integrando o Conselho Leonino, Moisés Ayash foi também vice-presidente da assembleia geral do Sporting e um dos principais impulsionadores dos “Leões de Portugal”, nascidos em 1984.

Quem teve o privilégio de conhecer de perto Moisés Ayash foi o meu pai, onde na década de ‘80 criaram, para além da classe de ginástica do Sporting “Os Fadistas”, laços de amizade que perduraram durante largos anos.

À família enlutada endereço as mais sentidas condolências.

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A sorte grande … e a aproximação

16 Setembro 2008 · 2 Comentários

Se causei estranheza na ausência de “posts” esta semana, eis a resposta: «a aproximação». Chama-se Laika e é a mais recente paixão da família. E sim, prefiro brincar com a sua barriguinha cor-de-rosa que escrever “posts” no MENINORABINO.COM. Mas prometo ser breve! Com a preciosa ajuda do Yuri, brevemente volto a escrever com mais regularidade…

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A sério: porque não te calas?

16 Setembro 2008 · Deixe um comentário

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Frases da semana

16 Setembro 2008 · Deixe um comentário

«Espanta-me o espanto com que foi recebido o incidente de Nobre Guedes»

Manuel Queiró in “Público”

 

«Ser formal quando é necessário e sexy na dose certa talvez seja a receita para o sucesso [do CSD].»

António Pires de Lima in “Jornal de Notícias”

 

«(…) o PS com a mania de fazer engenharia social, com a mania de laicizar a sociedade à força… com a mania um pouco macónica (António Costa interrompe por momentos) não, não, não, a palavra tem sentido… A programação maçónica de querer através da lei criar uma sociedade puramente laica em que as instituições, que em muitos casos tiveram origem na instituição cristã, são varridas, esquece-se de um pequeno problema do ponto de vista social» 

José Pacheco Pereira in “Quadratura do Círculo”

(a propósito da reacção da bancada socialista ao veto presidencial da lei do divórcio)

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O que mudou desde o 11 de Setembro?

11 Setembro 2008 · 1 Comentário

Uma lição dos últimos anos é que o desejo de modernidade não se traduz sempre no desejo de uma sociedade liberal

Passam hoje exactamente sete anos desde o atentado ao World Trade Center, em Nova Iorque, o acontecimento mais significativo das vidas de 80 por cento da população americana, segundo uma sondagem de 2007 do Instituto Zogby. O “11 de Setembro” tornou-se uma daquelas datas sobre as quais se diz que há um “antes” e um “depois”.

O que mudou no mundo desde o 11 de Setembro? Aparentemente tudo mudou para pior: a ameaça terrorista mantém-se, Bin Laden continua a monte e a Al-Qaeda não foi destruída; a situação no Iraque só muito recentemente começou a estabilizar e no Afeganistão os taliban não dão tréguas. Por outro lado, assistimos à escalada nuclear de um Irão integrista fomentando a violência e o ódio num Médio Oriente cada vez mais instável, o conflito israelo-palestiniano eterniza-se. Ao logo destes sete anos, o mundo assistiu a gravíssimos atentados aos direitos humanos no Darfur, no Zimbawe ou na Birmânia, perante a continuada impotência das organizações internacionais como a ONU. Também no ocidente europeu o 11 de Setembro teve consequências decisivas nas relações com as populações muçulmanas, aumentando o medo e a desconfiança mútuas: os sucessivos apelos à aliança das civilizações apenas revelam que se instalou o medo do “choque” que é efectivamente uma ameaça, nomeadamente nos países que se consideravam o paraíso do multiculturalismo, como os Países-Baixos ou a Inglaterra.

Mas talvez a mudança mais significativa seja o fim de um mundo unipolar dominado pela ainda única verdadeira superpotência, o declínio progressivo da força e influência ocidentais num mundo onde irrompem outras potências como a Índia, a China, o Brasil ou a Rússia, algumas sem grandes preocupações com a democracia, mas com altíssimos níveis de desenvolvimento económico e tecnológico e exigindo ruidosamente o seu lugar ao sol.

Verdadeiro, este panorama tão negro? Sem dúvida, mas há que ir mais longe. Em primeiro lugar, convém dizer que o terrorismo apocalíptico – e em consequência a Al-Qaeda – perdeu grande parte do seu poder de atracção e apoio entre as populações muçulmanas. Uma sondagem feita em 47 países pelo Pew Research Center em 2007 revela “o declínio acentuado na aceitação de bombistas suicidas”, em países tão diversos como o Iraque, o Líbano, a Indonésia ou o Paquistão. Neste último país, onde os atentados se sucedem, o resultado das eleições em Fevereiro de 2008 mostraram não só a rejeição de Musharraf, como também a rejeição dos partidos islamistas. O cruel assassinato de inocentes acaba assim por alienar o apoio da maioria das populações, mesmo em zonas onde os movimentos terroristas surgem relacionados com reivindicações nacionais ou étnicas, como na Palestina. No entanto, isto não significa que o perigo do terrorismo jihadista tenha desaparecido e que não possa causar grandes danos. Nem significa que o extremismo religioso e o fanatismo ideológico tenham diminuído. Muito pelo contrário, alastra um islão rígido e integrista que hoje se exerce essencialmente sobre os aspectos religiosos e culturais da sociedade, nomeadamente na questão da emancipação das mulheres. E que está a desenvolver-se no Kuwait, na Jordânia, no Egipto ou entre movimentos como o Hamas ou o Hezbollah, agravando o antagonismo e o perigo de um confronto com o ocidente, ajudado por um movimento significativo de conversões radicais ao islão.

Não é verdade, no entanto, que esta versão do islão seja dominante, nomeadamente entre a juventude e a população urbana. Nomeadamente no Irão e no mundo árabe emergem diversas forças de oposição. Talvez uma das mais corrosivas e espalhada seja a “ciberdissidência”: armada de um computador, de um telemóvel ou de uma máquina fotográfica, tem como objectivo quebrar o silêncio sobre os atentados aos direitos humanos. E nem a repressão por “publicação de falsas informações” e “enfraquecimento do sentimento nacional” tem conseguido calar esta forma de protesto e denúncia.

O desejo de viver numa sociedade moderna e livre da tirania é universal. É isso que leva milhões de pessoas a procurarem no mundo desenvolvido estabilidade política, oportunidades de emprego, cuidados médicos e educação que não encontram no seu país. Mas talvez uma das grandes lições dos últimos anos seja que o desejo de modernidade e desenvolvimento não se traduz forçosamente no desejo de uma sociedade liberal, caracterizada por direitos individuais e por um Estado de direito, nem a democracia liberal é condição de modernidade como a China e o Sudeste asiático o têm mostrado claramente. Como refere Francis Fukuyama, “o desejo de viver numa democracia liberal é algo que se adquire ao longo do tempo, muitas vezes como resultado de uma modernização bem sucedida”. O que pressupõe um Estado que funcione e instituições relativamente sólidas. Provavelmente um dos maiores erros do primeiro mandato da administração Bush foi procurar impor pela força o que só o tempo e a vontade colectiva podem decidir. Dito de outra forma, a imposição forçada de um regime não é a chave para uma transição democrática.

Isto não significa o declínio da ideia liberal. Esta continua a ser “a ideia mais forte e com maior apelo generalizado que existe”, continua Fukuyama. Mesmo os ditadores e autocratas sentem-se muitas vezes obrigados a fingir que respeitam as regras da democracia. Mas hoje vivemos num mundo em que a versão ocidental da história está a deixar de ser a única e a dominante. Não porque essa versão seja menos boa e atraente, mas porque existem outras que emergem em paralelo e com força redobrada.
Este é talvez o grande desafio que se coloca ao futuro presidente dos EUA: compreender que afinal “há história no fim da História”.

 

in Público 11 de Setembro de 2008

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Urdiduras

9 Setembro 2008 · 2 Comentários

Ana Gomes está inquieta! Logo após o parecer da juíza, que classificava de “erro grosseiro” a detenção de Paulo Pedroso, já todos esperávamos palavras de apreço para com a justiça, que realmente funciona, que de facto tarda, mas não falha… que podemos confiar no sistema judicial. Frases feitas.

Mas Ana Gomes, depois da inesgotável expressão da “cabala” eternizada por Ferro Rodrigues, decidiu enveredar por caminho idêntico. A expressão escolhida agora é “urdidura” e começa a roçar o limite do irracional, ao nível daqueles sujeitos que oferecem panfletos em Times Square sobre a teoria do “inside job” no 11 de Setembro.

Aproveitando a “boleia”, Carlos Cruz é também apontado como vítima do mesmo tipo de injustiça. Mas vamos a factos:

O tribunal (ou o juíz) é incompetente pela prisão preventiva exercida a Paulo Pedroso, não pela possível pena a aplicar ao arguído. Cabe lembrar que, o Sr. Paulo Pedroso processou os rapazes que o acusaram de abusos sexuais e não ganhou! Parece-me claro que o caso foi enterrado enquanto estava na “grey area” e que vai fazer com que inocentes e culpados nunca sejam, postos a nu – passe a redundância.

É escandaloso que, Paulo Pedroso, estando inocente, tenha de carregar sobre si o peso da incerteza de que é pedófilo para uma parte dos portugueses, conforme os “tribunais do povo” fizeram questão de lhe aplicar o título pelas ruas antes sequer de ser constituído arguido… quanto mais culpado. Através das notícias na imprenssa ficaram a saber-se de alegações e certezas provavelmente nunca teremos.

É um caso tem muito que se lhe diga, mas … para teorias de conspiração, convém ter o mesmo que a acusação de Paulo Pedroso também não tinha; provas.

Mas então porque é que Ana Gomes decidiu dar ao caso uma dimensão política, que vai muito além do sistema judicial?

Passemos os olhos pelo seu artigo no blog “Causa Nossa” sobre o tema:

Para reparar o que ainda pode ser reparado o Estado português, através da Justiça, tem de ir mais além do que o reconhecimento do “erro grosseiro” e do pagamento de indemnizações: tem de fazer tudo para desenterrar a verdade e para identificar, expor e julgar os canalhas que instrumentalizaram jovens da Casa Pia, vítimas de abusos pedófilos, para acusarem falsamente Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues e Jaime Gama (está em causa a segunda figura mais alta do Estado, o Presidente da Assembleia da República).

A culpa não deve nunca morrer solteira e, como um bom judeu que se preze, defendo a máxima de Moisés “Justiça, justiça deverás buscar” (Dt. 16:20). Mas o tom desvairado de Ana Gomes deixa escapar uma busca mais vingativa que justa. Uma caça às bruxas sob a bandeira da “urdidura”:

Para reparar o que ainda pode ser reparado o Estado, através da Justiça, tem de fazer tudo para descobrir e revelar ao povo português o que moveu os canalhas que se conluiaram para montar a urdidura contra Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues, Jaime Gama e todos os falsamente acusados. Uma urdidura montada para desviar atenções da investigação criminal sobre os frequentadores dos meninos da Casa Pia e do Parque, (…) Uma urdidura montada para também, de caminho, decapitar políticamente o PS de uma direcção que inquietava o “centrão” traficante de favores e negociatas à custa do Estado.

Será que Ana Gomes sabe mais que nós? Eu estou mortinho por saber… 

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Frases da semana

8 Setembro 2008 · 4 Comentários

«A Festa do Avante foi durante anos o maior acontecimento cultural do país»

Daniel Oliveira in “Eixo do Mal”

 

«A Sra. Sarah Palin é aterradora»

Clara Ferreira Alves in “Eixo do Mal”

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Matrimónio a sério

4 Setembro 2008 · Deixe um comentário

Na mensagem que enviou à Assembleia quando vetou a lei do divórcio, o Presidente da República afirmou que o decreto «introduz uma alteração muito profunda no regime jurídico do divórcio actualmente vigente em Portugal e contém um conjunto de disposições que poderão ter, no plano prático, consequências que, pela sua gravidade, justificam uma nova ponderação». O Presidente tem razão, mas só ele parece preocupado com isso.

A lei do divórcio foi aprovada no Parlamento num ápice, sem grande interesse ou debate, perante apatia generalizada nos jornais, políticos e sociedade. Ninguém se preocupou com ela, nem dentro nem fora da Assembleia, nem então nem agora que a lei está vetada. Haveria muito mais comoção se as mudanças tivessem sido nos contratos de trabalho, arrendamento ou até no trânsito. Será que a família hoje não interessa a ninguém?

Não. O interesse pela família é o mesmo de sempre. O que acontece é algo muito diferente. Durante séculos o matrimónio era uma questão religiosa e o único casamento que existia era católico. Diante de Deus e da Igreja os esposos prometiam verdadeira fidelidade. Aí era a sério.
O casamento civil foi criado por Mouzinho da Silveira em 1834, mas só funcionou após 1911 com Afonso Costa.

Hoje, passado menos de um século, é o próprio Estado a desqualificar essa sua instituição. Se esta lei passar ficará mais fácil trocar de esposo que de contador da água. Afinal, o casamento civil é descartável. Estamos a voltar à situação normal de sempre: apenas o matrimónio religioso tem algum significado.

 

in «Destak» 04 de Setembro de 2008

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