Domingo, 8 de Janeiro de 2012

A Nacionalização do Privado

(Famosos Maçons e Anti-Maçons à esquerda e à direita, respectivamente)
Sou militante do CDS-PP por convicção. Levei tempo a tomar essa decisão, porque sabia das muitas desilusões e promiscuidades que a guerra política nos pode oferecer. Mas tomei essa decisão, convicto de que, para além da equivalência ideológica, se tratava de um partido mais trabalhador, menos hipócrita e mais a salvo de lóbis .

Hoje, é com tristeza que vejo colegas de partido que muito prezo embarcarem na caça às bruxas maçónica que tem vindo a decorrer nos últimos dias. Com laivos de suspeição que nos remetem para tempos ou lugares mais intolerantes e menos livres.

Durante anos, os militantes do CDS-PP demarcaram-se dos demais partidos democráticos através do mérito e da nobreza da sua acção política. Com sucesso desmentiam a intolerância comunista que insistentemente nos designava de fascistas desde a fundação. 

Hoje, alguns notáveis do CDS-PP estão paradoxalmente desse lado, pelo bem da "transparência" que outrora ajudou a perseguir "homens livres e de bons costumes".

Até hoje sabia ter amigos maçons e não-maçons. Hoje todos parecemos ter também amigos anti-maçons. Sinais dos tempos e de uma crise que nos demonstra novamente a necessidade humana de um culpado físico onde podemos, de dedo em riste, acusar e responsabilizar pelo insucesso das nossas metas. Ocultando assim a nossa apatia,  o nosso demérito e a nossa miséria. 

Secreta parece ser a razão por esta atracção doentia pelo alheio e pelo privado.

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Alguns exemplos:

Amado e os seus irmãos

Depois de ler crónica de hoje no DN, fico sem perceber se Luís Amado utilizou aspas em “Primavera Árabe” por estar a citar um conceito pelo qual ficou conhecido, ou se finalmente acha que a primavera, de facto, não terá passado de mais uma utopia longe de estar concretizada.

Preocupa-lhe a estabilidade europeia, mas não se preocupa em tentar ter razão, uma vez que seja.
Amado segue a sua imaginativa intervenção apelidando de “islão político moderado” a já conhecida e pouco moderada Irmandade Muçulmana - ou “Irmãos Muçulmanos” como faz questão de assim os denominar, talvez imbuído por um amor fraterno de partilha ideológica.

Continua com a sua condição sine qua non para uma resolução do Médio Oriente:

«A criação do Estado da Palestina é uma condição determinante para a paz no Médio Oriente mas também para a estabilidade das relações entre o mundo islâmico e o Ocidente»

Isto é, caso não seja criado um estado inventado, baptizado pelo imperador Adriano após a vitória sobre a rebelião judaica de Bar Kochba no ano 145, a coisa não tem pernas para andar. E se as relações entre o Islão e o Ocidente não têm pernas para andar, a culpa é dos israelitas (ie: judeus).

Os “irmãos” de Amado, esses, parecem continuar interessados em abrir uma só excepção para que num futuro mapa do médio-oriente exista uma só palavra que não seja de origem árabe: Palestina.

Por fim, a Turquia. E como alienar este “aliado estratégico” seria um erro inaceitável. Para já a memória prevalece fresca às tentativa de genocídio histórico que a Turquia insiste praticar, depois da prática do estilo original em 1915. Valha-nos isso por hora. Amanhã, logo se vê.

Para Amado, esta Turquia é uma referência única. Para mim também, mas por razões precisamente opostas.